Artigo da Semana
12 Fevereiro de 2006

Por Sandra Cardoso
Amor para além do fim...
Se duvidas alguém tiver, sobre a lealdade e amor que os animais dedicam e nutrem pelos seus donos, estas fotos são a prova da grandeza e nobreza dos sentimentos dos animais…


Este animal permaneceu junto ao corpo morto do seu dono, até ao fim… provavelmente foi deixado na rua, sozinho… com a sua dor…
Há pouco tempo em Lisboa, um pai assassinou a família, mãe e filho e seguidamente suicidou-se. Os 3 animais da família ficaram junto ao corpo da criança, quando os policias chegaram, foram levados para o Canil de Lisboa, nunca ninguém da família os foi buscar, ficaram confusos, com uma corrente de metal ao pescoço à espera dos donos que não iam voltar, um deles morreu de tristeza pouco tempo depois… os outros continuam à espera de um familiar, ou do papel da PSP para puderem finalmente ser adoptados… Quem se lembra deles? Quem se importa com a perda que tiveram?
Aparentemente nada nem ninguém…
Quantos de nós é capaz de ser realmente leal e fiel a alguém… poucos, muito poucos…
Nos animais é completamente ao contrario, raro é o animal que não é absolutamente leal e fiel ao seu dono, existem animais que são mal tratados até ao limite da dor, no entanto não conseguem sequer defenderem-se das agressões por parte dos donos, por medo?
Duvido! Alguns animais são superiores em força aos donos, e tem uma arma capaz de imobilizar qualquer homem, as suas poderosas mandíbulas… no entanto ganem de dor, escondem-se, suplicam por misericórdia com os olhos, com a patinha levantada, de barriga para cima em sinal de total submissão… dezenas de animais aparecem mortos à pancada, grande parte pelos seus donos, outros amarrados e imobilizados, muitos outros ainda mutilados, atacados por outros com o intuito de estimular a violência nos animais utilizados para as lutas!
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Todos tem em comum o facto de serem mortos impunemente, porque no nosso país não é constituído arguido por ter morto um animal, e raramente são aceites queixas na Policia nestes sentido… como os animais não votam nem tem cartão de credito, são simplesmente utilizados como objectos durante a sua vida e na sua morte, atirados para incineradoras e lixeiras, são esquecidos e os que os maltratam e assassinam, vivem impunes e livres para continuar a espalhar a maldade e o sofrimento por onde passam e rastejam…
Quando ando de reunião em reunião a falar sempre do mesmo e a ouvir sempre as mesmas coisas, penso que vivemos numa espécie de dormência… ou seja, as instituições e governo, tem noção que esta tudo errado, que os canis não funcionam devidamente, que pouco ou nada se faz para garantir os direitos dos animais, sabem que existem lutas de cães em praça publica todos os dias, sabem também que existem pessoas disponíveis para ajudar a resolver as problemáticas do abandono e maus tratos, sabem basicamente de tudo, o estranho é que passam os papeis uns aos outros, olham para os projectos, que ao contrario do que costuma acontecer, não tem orçamentos milionários, nem colocação de tachos a torto e a direito, e a impressão com que fico, é que colocam na gaveta ou deixa para a amanha…
Pois, mas amanha, mais dezenas de animais são mutilados, queimados, abandonados, atropelados, esfaqueados, violados… tudo de mau que se pode imaginar, e outras coisas que nem a imaginação mais fértil poderia prever… Neste pequeno mundo, de animais em perigo e pessoas que corem contra o tempo, contra gigantes de peso, que esmagam as esperanças e os projectos, com a sua indiferença ou com a sua conivência…
Para trás ficam milhares de animais estropiados, tristes, a pedir para saírem dali, sem perceberem o porque… e algumas pessoas que dedicam as suas almas e as suas vidas a tentar ajudar, a tentar remar contra uma maré tão forte e tão densa, que quase os afoga, mas que embora difícil é nobre, e tudo o que é nobre e verdadeiro mais tarde ou mais cedo vem ao de cima…
Tudo isto é horrível, ir ao canil buscar os meninos e depois ir novamente entregar os que não arranjaram um cantinho, é devastador… nem óculos escuros, nem cara baixa conseguem esconder o desespero a raiva, a impotência que cresce…
Mas alguém tem de o fazer…
Se todos pudéssemos dar um bocadinho de nós, um cantinho na cozinha, uma saca de ração, os restos aos que vivem na rua, ter cuidado quando ligamos o carro que pode lá estar algum gatinho, olhar mais para os passeios, fazer algo em prol deles é sempre muito… gostar muito e respeitar já é alguma coisa, não promover a violência o abandono, ser civilizado, não embirrar com a vizinha que tem gatos os cães, não envenenar os pobres dos animais porque sujam ou estragam alguma coisa, são todo coisas que todos devíamos fazer, mas podemos fazer mais um bocadinho… só mais um bocadinho…
Lá em casa existem 2 moradores caninos fixos, depois temos sempre uns visitantes, ou ninhadas abandonadas, ou um dos infortunados do canil, algum que o destino mandou para frente dos meus olhos, raramente a vaga esta por preencher… porque afinal, até cabe sempre mais um, se for baby, já couberam ate mais 7… talvez o chão não esteja tão brilhante nem os inox´s da cozinha tão reluzentes, pronto, tenho uma porta estragada, uma janela arranhada, umas coisinhas aqui outras ali danificadas… embora tenha sido uma casa feita com todo o meu empenho e carinho, é afinal apenas e só uma casa, e eles, são vidas, são seres desprotegidos que precisam de nós!
A verdade é que enquanto um apanha os mil cagalhotos que estão no chão, o outro tem de correr a ir á rua com os adultos, já tivemos de acordar de 2 em 2 horas para dar biberão, e silencio, é uma estranha miragem por aquelas bandas…
No entanto, quando mais um arranjou um dono, quando mais um olha para nós e agradece com aqueles focinhos lindos, esquecemos tudo! Até os dias em que entramos na cozinha já prontinhos para ir para o escritório com os sapatos novos, e uma das meninas, lembra-se de afocinhar a cabeça nos sapatos, repleta de leite!!!
Basicamente é a loucura diária… mas sei e sinto que tudo vale a pena, e não me arrependo de nada, só lamento não fazermos mais e melhor…
Se cada um fizer um bocadinho… é tudo tão mais simples….
Sandra Duarte Cardoso