Artigo da Semana
26 Janeiro de 2005

Por Sandra Cardoso
APOLO
Se por um momento pudesse pensar em desistir de andar feita “maluquinha”, como o meu pai diz, a defender os animais e os que acho que precisam da minha, na nossa ajuda! Lembrava-me de todas as coisas magnificas que passamos pelos nossos meninos, de todas as batalhas que ganhamos e das que perdemos…
No ano de 2005 foram infelizmente muitos os que não podemos ajudar, dos que passaram na minha casa, a Francisca, Gastão e a Nina, não resistiram a todo de mau que o mundo já lhes tinha dado, embora a todos tenha tentado demonstrar que os humanos não são todos iguais, não os consegui salvar, e nem todas as lágrimas que verti sobre eles fizeram com que as feridas sarassem, nem que a esgana fosse embora… forem eles embora, lamento cada segundo de vida que passaram em canis ou abandonados na rua, lamento que tivessem tão pouco tempo de vida, lamento que tenha sido tão pouco o que lhes pudemos dar… lamento ainda não ter chegado mais cedo, não ter sido mais proactiva e mais forte! No caso da Nina morreu nos meus braços, com a maior das dores a sufocar, depois de um veterinário ter levado 200 euros e não ter feito basicamente nada para aliviar o sofrimento da minha menina de 2 meses…
A Francisca tinha esgana galopante, foi para minha casa triste e quase sem força… quando lá chegou e a coloquei na banheira, ficou com os olhos abertos sem conseguir acreditar que tinha novamente uma casa, depois do banho, correu feliz pela casa, foi a ultima vez que a vi feliz… dois dias depois foi hospitalizada e morreu na box sozinha durante a noite… peço à natureza que a tenha poupado de dores e que me perdoe a mim não ter estado com ela até ao fim….
O Gastão, esse para além de tudo teve mais sorte, tinha-os a nós, que fizemos de tudo para que ele pudesse ficar o nosso cão, mas a esgana não deixou… e enquanto eu estava longe, foi adormecido… por mais que digas que estava acompanhado, não consigo aceitar não ter estado lá, para olhar naqueles olhos mais uma vez! Está até hoje no meu PC, para eu nunca esquecer a lição que me deu… Recebeu tanta coisa má, e só nos deu amor… nunca refilou
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de nada, aceitou tudo com calma, era obediente, e quando olhava nos meus olhos passava carinho e amor…
O
Apolo é mais um animal vítima de maus-tratos e fome… não foi no meu carro que ele entrou, mas eu vi-o no dia que foi encontrado! Não tenho palavras para o descrever, além de diversas ferias e de uma magreza terrível, estava esfomeado e com o olhar quase sem brilho!
O Apolo conseguiu fugir de umas condições terríveis, e encontrou alguém que não sabe virar a cara, e fez por ele o que jamais alguém fez!!!
Foi tratado com dinheiros e recursos meramente pessoais… e conseguiram arranjar uma dona á altura das suas necessidades… que no fundo são amor e comida…
Este caso serve de exemplo aos milhares de animais que continuam pelas ruas, fechados, vitimas dos maiores horrores, dores e torturas…
Isto acontece ao lado das nossas casas, e são raras as pessoas que tem a coragem de intervir e de não virar a cara…
Pessoas como tu SosCão como o Bartô te chama, que embora resmungues mais a maluquinha das limpezas, ambos tem em comum o facto de não fecharem os olhos… e de contribuírem para que nem todos sejamos a mesma porcaria…
Tu alem do meu grande amigão, irmão do peito, és um ser humano excepcional, para além de todas as coisas que te saltam da boca para fora, tens um coração enorme… não foi à toa que o Gastão te escolheu para Pai! E quando fico muito em baixo, é verdade que procuro o teu colo para dizeres que os cães vão sair, e que tudo se vai resolver!
Para alem de dizeres que vais dar um murro na cabeça do Anão, e que um dia destes deitas fogo aos carros dos gajos! O facto de me chamares Latinhas, vindo de ti é macio meigo e gentil… quando quero rir, lembro-me das nossas viagens a levar cães ao Baco, das nossas gargalhadas compulsivas, e das porcarias que dizemos quando estamos juntos…. Enfim… da berraria que são as viagens na carrinha do velho, com merda até ao tecto e com um cheiro que nem os cães aguentam, a meio do caminho desmaia tudo e chega tudo ás campanhas em coma!
Sandra Duarte Cardoso