Visita à AAnifeira, por Vitor Barros

“Breve explicação sobre as necessidades da Aanifeira! 

A minha impressão sobre aquilo que vi e dialoguei com a D. Constança, que está a gerir esta associação, é que as carências são imensas e as ajudas muito poucas. Já muito trabalho foi lá feito e muito mais há a fazer. Esta é uma batalha que não dá tréguas e é necessário um amor incondicional aos animais para não se dar como perdida esta guerra. 

À vista desarmada o local eleito tem boas potencialidades para se tornar num abrigo de acolhimento dos muitos animais abandonados que não cessam de surgir em toda a parte, mas necessita, a meu ver dois factores:

  1. Dotar o local de melhores condições de higiene e acondicionamento;
  2. De apoios e estes terão de ser contínuos, caso contrario torna-se insustentável a sobrevivência desta associação.  

Todavia saliento que muito trabalho foi e é feito diariamente para proporcionar uma vida digna aos nossos amigos de quatro patas. 

Os em gastos mensais com a alimentação ronda os € 4.000,00, pois o número de cães que se encontram no local ronda os 500, sendo este número muito superior ao que seria desejável para as condições actuais. Mas já toda a gente sabe qual seria o destino dos bichos, se ali não tivessem sido acolhidos. Com o coração aberto, as pessoas desta associação tentam assegurar o bem estar dos animais, com abrigo, alimento, cuidados de saúde e higiene.

Das necessidades mais prementes, destacam-se a rede que é necessária colocar em altura em toda a volta da “propriedade”, pois todas as semanas são atirados cães por cima dos muros para dentro das instalações por pessoas sem escrúpulos que se querem ver livres dos “incómodos” por qualquer meio. O resultado não deve ser muito agradável de se ver, pois os que já lá estão dentro, como fieis guardas e “donos” da propriedade que são, reagem defendendo o território da invasão... Não seria mais lógico contactar as pessoas e pedir-lhes para ficarem com os animais? Os números estão afixados no portão e os pedidos para não atirarem os animais (explicando o que lhes acontecem se o fizerem), também. Mas como as pessoas são irracionais, obriga a uma despesa adicional mas extremamente necessária.

Também é urgente a pavimentação do espaço exterior ao pavilhão central, por motivos de higiene e segurança. Este terreno lamacento vai sendo coberto com paletes para tentar minimizar o perigo que representa, quer para pessoas, quer para animais. Cimento ou até mesmo gravilha seriam uma solução segura e higiénica.

Paralelamente a esta pavimentação, e dado que a lotação está muito para além dos limites e, apesar de haver abrigo não há acondicionamento para todos e como resultado, grande número de cães andam pelo terreno, acumulando-se a grande maioria deles nos portões e caminhos de acesso. É portanto necessário resguardar os caminhos de acesso para facilitar as entradas e saídas e também permitir cargas e descargas sem correr riscos de magoar animais e pessoas.

Outro dos projectos que me pareceu bastante interessante e que gostaria de salientar, pois além de não ser um projecto muito dispendioso, pode ser uma fonte de rendimento para a Aanifeira é o forno crematório. Este, além de ir resolver um problema que tem vindo a crescer e a tornar-se complicado, iria tornar-se uma fonte de rendimento, pois por uma quantia não muito elevada, pessoas e clínicas teriam ali uma destino a dar aos defuntos dos seus animais (em vez de os deitarem em contentores do lixo ou até mesmo enterra-los).

Os restantes projectos e materiais necessários encontram-se no outro documento, todos eles são de importância vital para dotar esta associação de meios para que possa servir cada vez mais e melhor os nossos fieis amigos.

Como notas finais, apenas os seguintes apontamentos:

A Aanifeira tem um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal (CM) de Stª Mª da Feira, onde a associação se compromete a levantar semanalmente os animais recolhidos pela CM em troca de um subsídio, mas por outro lado a Aanifeira tem de pagar à CM a vacinação anti-rábica desses mesmos animais...

Aliás, relativamente à CM já foram feitos alguns pedidos para obras de beneficiação sem haver qualquer resposta.

O Ivomec e os deparasitantes (internos – vulgo “remédio das bichas”) são das medicações mais complicadas de armazenar.

O primeiro porque é muito caro e é vital para combater um flagelo que se chama sarna. É comum em animais abandonados, por problemas alimentares e de higiene surgirem essas doenças. Os animais que tenham sintomas desses problemas à entrada são de imediato sujeitos a tratamento com Ivomec, mas este produto é caríssimo e é de tratamento prolongado.

O segundo porque é necessária a administração com a frequência mínima semestral para adultos e praticamente quinzenal em recém-nascidos.

Os cobertores, mantas, alcatifas, roupas velhas, etc. são de extrema importância para proporcionar algum calor e conforto aos animais.

Os baldes, bacias, pás, vassouras, esfregonas, assim como os produtos de limpeza são de grande consumo pois é essencial manter o mínimo de higiene.

Todos estes são artigos que pela sua natureza tem um desgaste rápido e por isso sempre necessário.

Acredito que a credibilidade da sociedade em geral anda um pouco em baixo. As pessoas recusam-se a doar dinheiro (se calhar com alguma razão) a qualquer tipo de associação ou instituição. Mas no presente caso, não creio que haja qualquer lucro, antes pelo contrário, o prejuízo deve ser imenso. As pessoas ligadas à gestão desta associação têm os seus empregos e parte do seu vencimento mensal vai muitas vezes para a Aanifeira. O dinheiro é vital para a sobrevivência de qualquer ser vivo ou sociedade.

De qualquer modo a Aanifeira não faz disso cavalo de batalha. Quem quiserajudar também poderá faze-lo com bens materiais, alguns dos quais já deixaram de ter utilidade em nossa casa, mas que para estes nossos amigos aqui fotografados é duma importância extraordinária. ”

Vitor Barros